“Somos culpados dos sofrimentos dos pobres se não fizermos tudo o que está nas nossas mãos”
“Não pode haver caridade se não acompanhada da Justiça”
“O Filho de Deus fez-se homem não só para que nós nos salvemos, mas também par que com Ele sejamos salvadores”.
“A Igreja é como uma grande seara que necessita obreiros, mas obreiros que trabalhem. Não há nada tão conforme com o Evangelho como pegar de um lado luz e força para a alma na oração, a leitura e o retiro, e, por outro lado, ir logo a participar aos demais deste alimento espiritual. É isso o que fez o nosso Senhor e, após dele, os seus Apóstolos.
jueves, 29 de marzo de 2007
INTRODUCÇÃO
Durante os últimos anos que estive na missão de Chongoene em Mozambique, teve a oportunidade de acompanhar alguns grupos de Família Vicentina, as Voluntárias Vicentina e a Sociedade de São Vicente de Paulo, para além do grupo de Vocacionados vicentinos. Para alguns temas de formação pegávamos as publicações do Tambor (revista da família Vicentina da Viceprovíncia). Mas sempre notamos a falta de um material que ajudara a aprofundar os temas da vida, obra e espírito de São Vicente de Paulo.
Quando o seminarista Israel Alba esteve a fazer estagio em 2003, fez uma série de temas para a formação da SSVP, e em Dezembro de 2006, recebi a publicação No 19, dos FOLLETOS MISIÓN XXI, obra do Pe. Honório López dm., da Província de México. E logo teve a ideia de o traduzir ao português, como um aporte para a formação dos nossos leigos e vocacionados na Viceprovincia de Moçambique.
Ciente de que não tenho o domínio da língua portuguesa, e de que nesta tradução haverá muitos erros. Pe. Honório, peço desculpas pelo meu atrevimento.
Espero ajuda do Pe. José Luís, Reitor do Seminário Gebra Miguel em Matola, para uma revisão.
Quando o seminarista Israel Alba esteve a fazer estagio em 2003, fez uma série de temas para a formação da SSVP, e em Dezembro de 2006, recebi a publicação No 19, dos FOLLETOS MISIÓN XXI, obra do Pe. Honório López dm., da Província de México. E logo teve a ideia de o traduzir ao português, como um aporte para a formação dos nossos leigos e vocacionados na Viceprovincia de Moçambique.
Ciente de que não tenho o domínio da língua portuguesa, e de que nesta tradução haverá muitos erros. Pe. Honório, peço desculpas pelo meu atrevimento.
Espero ajuda do Pe. José Luís, Reitor do Seminário Gebra Miguel em Matola, para uma revisão.
UM JOVEM PARA O NOSSO TEMPO

Existem pessoas que nunca chegam a ser jovens. Há outras que nunca deixam de o ser. Há pessoas que tal vez desde os quinze anos, vivem encerrados nas velhas tocas do medo e do egoísmo. Arrastam os pés como indecisos reformados. Nem têm sonhos nem caminham para horizontes em desafio, de ilusão e mudança. Não se interessam por nada. Parece como si estivessem molestos de tudo. Só alimentam-se com anúncio baratos da televisão e as faladurias dos vizinhos.
Há outras pessoas de muitos ou poucos anos, que nunca deixam de ser jovens. Poderão ter falecido há muitos anos, mas seguem-nos falando, desafiando, com os seus sonhos e as suas obras. VICENTE DE PAULO, por exemplo, é um dos homens mais jovens da história. A sua vida e a sua obra são um desafio, o seu espírito é uma enorme montanha de contagioso amor a ferver.
Ali está e ali segue como um gigante que nos convida a subir às suas obras e aos seus ombros, para ver a vida de outra maneira e para a viver em compromisso apaixonado.
Este livro de COLECÇÃO MISSÃO XXI é especial, é uma breve biografia de São Vicente de Paulo e está dedicado aos e às jovens que desejam conhece-lo e buscam um material acessível e de rápida leitura. Também está dedicado a quem fora dos anos da juventude, conserva o coração, os sonhos e o desejo de corajoso compromisso. Vicente de Paulo continua ser um modelo, um animador e um visionário também para os nossos dias. A sua forma de amar a Jesus Cristo e de amar às vítimas é totalmente actual e continua a dizer-nos: “vamos e ocupemo-nos com um amor novo no serviço dos pobres; busquemos inclusive até os mais pobres e abandonados. Reconheçamos diante de Deus que eles são os nossos amos e os nossos patrões e que somos indignos de lhe oferecer os nossos humildes serviços”. Ele, Vicente fê-lo assim. E não fala de teorias mas da pratica experimentada por ele mesmo.
Por ser só uma simples introdução biográfica, este livro não faz anotações referentes às datas e citas que aqui aparecem. Os jovens não têm à mão os muitos tomos de cartas e conferências de são Vicente. Mas quem chega a ama-lo buscam conhece-lo melhor para entrara a formar parte dos seus entusiasmados seguidores.
Jesus Cristo é o Missionário do Pai e nós estamos chamados a ser os missionários de Jesus Cristo. Os pobres esperam que nos ponhamos ao ser lado, mas têm muitas urgências . Poderemos atrasar para sempre a nossa resposta?
Há outras pessoas de muitos ou poucos anos, que nunca deixam de ser jovens. Poderão ter falecido há muitos anos, mas seguem-nos falando, desafiando, com os seus sonhos e as suas obras. VICENTE DE PAULO, por exemplo, é um dos homens mais jovens da história. A sua vida e a sua obra são um desafio, o seu espírito é uma enorme montanha de contagioso amor a ferver.
Ali está e ali segue como um gigante que nos convida a subir às suas obras e aos seus ombros, para ver a vida de outra maneira e para a viver em compromisso apaixonado.
Este livro de COLECÇÃO MISSÃO XXI é especial, é uma breve biografia de São Vicente de Paulo e está dedicado aos e às jovens que desejam conhece-lo e buscam um material acessível e de rápida leitura. Também está dedicado a quem fora dos anos da juventude, conserva o coração, os sonhos e o desejo de corajoso compromisso. Vicente de Paulo continua ser um modelo, um animador e um visionário também para os nossos dias. A sua forma de amar a Jesus Cristo e de amar às vítimas é totalmente actual e continua a dizer-nos: “vamos e ocupemo-nos com um amor novo no serviço dos pobres; busquemos inclusive até os mais pobres e abandonados. Reconheçamos diante de Deus que eles são os nossos amos e os nossos patrões e que somos indignos de lhe oferecer os nossos humildes serviços”. Ele, Vicente fê-lo assim. E não fala de teorias mas da pratica experimentada por ele mesmo.
Por ser só uma simples introdução biográfica, este livro não faz anotações referentes às datas e citas que aqui aparecem. Os jovens não têm à mão os muitos tomos de cartas e conferências de são Vicente. Mas quem chega a ama-lo buscam conhece-lo melhor para entrara a formar parte dos seus entusiasmados seguidores.
Jesus Cristo é o Missionário do Pai e nós estamos chamados a ser os missionários de Jesus Cristo. Os pobres esperam que nos ponhamos ao ser lado, mas têm muitas urgências . Poderemos atrasar para sempre a nossa resposta?
1.“NÃO SEI, NÃO POSSO, NÃO TENHO TEMPO”
Vicente de Paulo –como tu ou como eu – poderia ter-se dispensado, cheio de medo detrás destes assaltantes da vida: o não sei; o não posso e o não tenho tempo ou o não me interessa. Mas não se deixou dominar deles e os venceu.
Se não sei, apreendo, estudo, formo-me e reflexiono as experiências próprias e alheias. Se não consigo, vou amar mais para conseguir ir mais além, porque o amor é inventivo até o infinito. Se não tenho tempo tira-lo-ei de abaixo das pedras. Se não me interessam os outros será porque sou um velho sem ilusões. E não vou ser assim, não quero ser assim. E a única forma de derrotar este paralítico é pondo-me ao serviço dos que mais necessitam de mim. Eles esperam-me como uma casa em chamas necessita que alguém vá a libertar aos nela encerrados, como um ferido precisa de ajuda e medicinas, como um menino necessita de amor e de escola para se desenvolver, como um oprimido necessita de libertação urgente, como um cego necessita da boa notícia da luz melhor para a sua vida. Me interessa isto, apaixona-me, e, por isso, sei, posso e encontrarei o tempo.
Kevin Carter ganhou, faz alguns anos o famoso prémio Pulitzer de fotografia. A sua máquina captou num instante, a terrível realidade do homem e a desgraça entre os pobres de Sudão da guerra civil. Na fotografia vê-se uma criança, de pele escura, ferido a gatinhar num campo sozinho a procura de qualquer alimento. Detrás da criança um abutre espera a sua morte para comer os fracos ossos da criança... Três meses depois de ter tirado esta fotografia, Kevin Carter, suicidou-se, sumido numa profunda depressão. Não o julguemos. Quem somos para o fazer?. Qualquer pode enfermar-se. Vicente de Paul em circunstâncias parecidas na França do seu tempo, não se deixou deprimir, não se suicidou, pois com morrer-se não remedia nada. Pôs-se a trabalhar para remediara a dor dos pobres e organizou a milhares de pessoas para que deram o seu amor, o seu tempo e os seus bens e a sua activa solidariedade para o bem das vitimas da guerra, da fome, da ignorância e da injustiça.
Se não sei, apreendo, estudo, formo-me e reflexiono as experiências próprias e alheias. Se não consigo, vou amar mais para conseguir ir mais além, porque o amor é inventivo até o infinito. Se não tenho tempo tira-lo-ei de abaixo das pedras. Se não me interessam os outros será porque sou um velho sem ilusões. E não vou ser assim, não quero ser assim. E a única forma de derrotar este paralítico é pondo-me ao serviço dos que mais necessitam de mim. Eles esperam-me como uma casa em chamas necessita que alguém vá a libertar aos nela encerrados, como um ferido precisa de ajuda e medicinas, como um menino necessita de amor e de escola para se desenvolver, como um oprimido necessita de libertação urgente, como um cego necessita da boa notícia da luz melhor para a sua vida. Me interessa isto, apaixona-me, e, por isso, sei, posso e encontrarei o tempo.
Kevin Carter ganhou, faz alguns anos o famoso prémio Pulitzer de fotografia. A sua máquina captou num instante, a terrível realidade do homem e a desgraça entre os pobres de Sudão da guerra civil. Na fotografia vê-se uma criança, de pele escura, ferido a gatinhar num campo sozinho a procura de qualquer alimento. Detrás da criança um abutre espera a sua morte para comer os fracos ossos da criança... Três meses depois de ter tirado esta fotografia, Kevin Carter, suicidou-se, sumido numa profunda depressão. Não o julguemos. Quem somos para o fazer?. Qualquer pode enfermar-se. Vicente de Paul em circunstâncias parecidas na França do seu tempo, não se deixou deprimir, não se suicidou, pois com morrer-se não remedia nada. Pôs-se a trabalhar para remediara a dor dos pobres e organizou a milhares de pessoas para que deram o seu amor, o seu tempo e os seus bens e a sua activa solidariedade para o bem das vitimas da guerra, da fome, da ignorância e da injustiça.
2 TAMBÉM ELE NÃO NASCEU SANTO

Ninguém nasce santo. Ninguém nasce seguidor de Jesus Cristo. Ninguém nasce com um belo projecto debaixo do braço. Depois ao longo da vida, uns pegam-no e outros deixam-no. Uns dizem SIM, e outros perdem tempo à sombra dos seus pretextos.
Vicente de Paulo nasceu em Abril de 1581. O Seu Pai chamava-se João e a sua mãe Bertranda. Eram em total seis irmãos. Cultivavam o campo e pastoreavam o gado. Não experimentaram a miséria extrema. Mas sim a dura pobreza e pesados trabalhos. Vicente teve a sorte de poder estudar. Na França do seu tempo a maioria da gente não sabia ler nem escrever. Vicente era um adolescente solidário, reflexivo e inteligente. Mas rapidamente em quanto estudava em Dax. Teve de ajudar a outros alunos menores dando aulas para ajudar economicamente com os seus próprios estudos.
Desde estes primeiros anos será activo trabalhador e formador de pessoas, e assim será ao longo de toda a sua vida.
João o seu pai era um pouco coxo e com aspecto de camponês desarranjado. Vicente, ainda adolescente se envergonhou várias vezes do seu pai, quando este ia visitá-lo ao Liceu. Dizia-mos que ninguém nasce santo. E perante a “o quê dirão os de mais”, Vicente deixou-se levar pelos seus complexos e pela sua ingratidão. Mais tarde arrepender-se-á e curar-se-á dos vírus desta enfermidade.
Mais tarde, depois dos seus estudos na Universidade de Toulouse, e quando ainda era muito jovem para o fazer, Vicente se ordenou de sacerdote. Era o ano de 1600. Mas a ordenação também não faz santo a ninguém e menos ainda se a receber de qualquer maneira. E Vicente nestes anos, pensava mais em si mesmo que em evangelizar aos pobres. Não nasceu santo e ainda não o era. Ele tinha um projecto centrado em si mesmo. Como a sua família era pobre, desejava melhorar a situação dos seus. E queria para si uma vida tranquila e em segurança. Para conseguir este o seu projecto, não o projecto que Deus tinha para ele, gastou vários anos da sua vida. Dedicou-se corajosamente, pondo em prática a sua imaginação, as suas influencias e todas as suas capacidades.
Ainda nesta etapa egocêntrica Vicente é um jovem interessante, pois um homem com um projecto para a sua vida causa paixão e curiosidade. Não é passivo, nem se encosta nos outros, não é um parasita, nem um desinteressado. Vá, vem, luta, viaja, inverte tudo o que possui e que pede emprestado. Roma, Burdeus, Marsella, Paris... longas viagens nos carros da época e em apertadas barcas com o objectivo de conseguir um posto que lhe desse benefícios económicos e prestigio social. Desejava ser alguém numa sociedade que só sabe valorar a quem tem e não a quem é. Nestes caminhos anda Vicente estes anos da sua vida por volta do seu ego. Mas o Senhor é paciente, espera para nos fazer bem e para nos fazer bons. E espera uma resposta corajosa e generosa. Vicente lhe respondera? E nós?
Vicente de Paulo nasceu em Abril de 1581. O Seu Pai chamava-se João e a sua mãe Bertranda. Eram em total seis irmãos. Cultivavam o campo e pastoreavam o gado. Não experimentaram a miséria extrema. Mas sim a dura pobreza e pesados trabalhos. Vicente teve a sorte de poder estudar. Na França do seu tempo a maioria da gente não sabia ler nem escrever. Vicente era um adolescente solidário, reflexivo e inteligente. Mas rapidamente em quanto estudava em Dax. Teve de ajudar a outros alunos menores dando aulas para ajudar economicamente com os seus próprios estudos.
Desde estes primeiros anos será activo trabalhador e formador de pessoas, e assim será ao longo de toda a sua vida.
João o seu pai era um pouco coxo e com aspecto de camponês desarranjado. Vicente, ainda adolescente se envergonhou várias vezes do seu pai, quando este ia visitá-lo ao Liceu. Dizia-mos que ninguém nasce santo. E perante a “o quê dirão os de mais”, Vicente deixou-se levar pelos seus complexos e pela sua ingratidão. Mais tarde arrepender-se-á e curar-se-á dos vírus desta enfermidade.
Mais tarde, depois dos seus estudos na Universidade de Toulouse, e quando ainda era muito jovem para o fazer, Vicente se ordenou de sacerdote. Era o ano de 1600. Mas a ordenação também não faz santo a ninguém e menos ainda se a receber de qualquer maneira. E Vicente nestes anos, pensava mais em si mesmo que em evangelizar aos pobres. Não nasceu santo e ainda não o era. Ele tinha um projecto centrado em si mesmo. Como a sua família era pobre, desejava melhorar a situação dos seus. E queria para si uma vida tranquila e em segurança. Para conseguir este o seu projecto, não o projecto que Deus tinha para ele, gastou vários anos da sua vida. Dedicou-se corajosamente, pondo em prática a sua imaginação, as suas influencias e todas as suas capacidades.
Ainda nesta etapa egocêntrica Vicente é um jovem interessante, pois um homem com um projecto para a sua vida causa paixão e curiosidade. Não é passivo, nem se encosta nos outros, não é um parasita, nem um desinteressado. Vá, vem, luta, viaja, inverte tudo o que possui e que pede emprestado. Roma, Burdeus, Marsella, Paris... longas viagens nos carros da época e em apertadas barcas com o objectivo de conseguir um posto que lhe desse benefícios económicos e prestigio social. Desejava ser alguém numa sociedade que só sabe valorar a quem tem e não a quem é. Nestes caminhos anda Vicente estes anos da sua vida por volta do seu ego. Mas o Senhor é paciente, espera para nos fazer bem e para nos fazer bons. E espera uma resposta corajosa e generosa. Vicente lhe respondera? E nós?
3. O FRACASSO É UM ANJO SEM DUPLA FACE
A amorosa Providência de Deus teve de empregar-se a fundo a fim de que Vicente descera do seu próprio projecto egoísta e compreendera a sua vida de outra maneira e com outro propósito. E para isso deixo-o ir de fracasso em fracasso. Vicente carregou-se de dividas e nada conseguiu. Nem Roma, nem Marsella, nem Paris responderam aos seus pedidos. E há uma carta sua de 1607, em que conta-nos o pior. Foi feito prisioneiro por uns piratas e levado preso a Tunes. Esta escravidão é imagem e símbolo da sua situação interior. Ali soube o que significa ser escravo, maltratado, dependente e pobre. Mas ali também experimentou a verdade, a força e consolação da fé cristã. E ajudado por um renegado arrependido, conseguiu sair da escravatura de Tunes.
“Não podemos segurar melhor a nossa salvação que vivendo e morrendo ao serviço dos pobres” (São Vicente de Paulo)
O fracasso é um anjo sem caretas. Fala-nos uma linguagem directa, não mascarado, palavras que doem. Mas nem sem o compreendemos à primeira. De Facto Vicente vota a Roma. Ali encontramo-lo em 1608, e ainda espera que os grandes lhe dêem migalhas e o amparem com as suas influências. Também não o consegue. Depois vaia Paris, e desde ali ainda escreve à sua mãe em 1610 falando-lhe de um “honesto retiro”, ou dito de outra forma, da sua instalação na mediocridade. Ainda precisa de mais provas, de mais fracassos para acordar. E as próximas experiências tocar-lho-ão no mais vivo. Primeiro, será falsa e publicamente acusado de ladrão e, em segundo lugar passará um calvário de tentações contra a fé. Se antes foi despojado do triunfo externo, agora o será do prestigio social e da segurança da fé que nos sustêm. Mas Vicente nestes anos ainda não em sido um desonesto. A oração, o amor ao Senhor e à Santíssima Virgem Maria, lhe sustinham e lhe faziam cantar no meio da escravidão de Tunes. Em Roma, ao percorrer os passos dos antigos mártires cristãos, se lhe enternecia o seu coração o arrependimento lhe aflorava nos olhos em forma de lágrimas. Em Paris como mendigo da ex-rainha Margarida, experimentou a compaixão cristã com os pobres, essa que consiste em padecer com eles e ajudar-lhos. Vicente nunca foi um homem superficial. Agora perante a acusação de roubo, não se defendeu, “diz-se, elevando-se a Deus, é preciso o sofra com paciência, Deus sabe a verdade”. Vicente tinha no meio de tudo, coragem cristão. Só que precisava descobrir através dos fracassos, às distintas alturas era chamado.
E lhe chegou a prova mais longa e dura: a noite da fé. Duvidar, duvidar e duvidar, como uma obsessão, como um pesadelo, como um esfomeado rato metido no cérebro e não parara de nos morder as neuronas da fé. Quem sou? Em que se fundamenta a minha fé? Quê sentido tem Jesus Cristo para mim? Deus, ama-me, espera-me há vida eterna? E Vicente reagiu perante esta terrível tentação com mais oração e mais súplicas, com actos de penitência e obras de caridade e chegou a cozer-se o credo sobre a roupa para que o só gesto de o tocar com a mão fosse para ele como uma vivia confissão de fé. Mas era isto, tudo o que Deus esperava dele? A fé não é uma propriedade privada, dá-se-nos para a compartir, como pão e como Evangelho, como Justiça e como vida em favor dos outros. Vicente, atrever-te-ás a dar este passo?
“Não podemos segurar melhor a nossa salvação que vivendo e morrendo ao serviço dos pobres” (São Vicente de Paulo)
O fracasso é um anjo sem caretas. Fala-nos uma linguagem directa, não mascarado, palavras que doem. Mas nem sem o compreendemos à primeira. De Facto Vicente vota a Roma. Ali encontramo-lo em 1608, e ainda espera que os grandes lhe dêem migalhas e o amparem com as suas influências. Também não o consegue. Depois vaia Paris, e desde ali ainda escreve à sua mãe em 1610 falando-lhe de um “honesto retiro”, ou dito de outra forma, da sua instalação na mediocridade. Ainda precisa de mais provas, de mais fracassos para acordar. E as próximas experiências tocar-lho-ão no mais vivo. Primeiro, será falsa e publicamente acusado de ladrão e, em segundo lugar passará um calvário de tentações contra a fé. Se antes foi despojado do triunfo externo, agora o será do prestigio social e da segurança da fé que nos sustêm. Mas Vicente nestes anos ainda não em sido um desonesto. A oração, o amor ao Senhor e à Santíssima Virgem Maria, lhe sustinham e lhe faziam cantar no meio da escravidão de Tunes. Em Roma, ao percorrer os passos dos antigos mártires cristãos, se lhe enternecia o seu coração o arrependimento lhe aflorava nos olhos em forma de lágrimas. Em Paris como mendigo da ex-rainha Margarida, experimentou a compaixão cristã com os pobres, essa que consiste em padecer com eles e ajudar-lhos. Vicente nunca foi um homem superficial. Agora perante a acusação de roubo, não se defendeu, “diz-se, elevando-se a Deus, é preciso o sofra com paciência, Deus sabe a verdade”. Vicente tinha no meio de tudo, coragem cristão. Só que precisava descobrir através dos fracassos, às distintas alturas era chamado.
E lhe chegou a prova mais longa e dura: a noite da fé. Duvidar, duvidar e duvidar, como uma obsessão, como um pesadelo, como um esfomeado rato metido no cérebro e não parara de nos morder as neuronas da fé. Quem sou? Em que se fundamenta a minha fé? Quê sentido tem Jesus Cristo para mim? Deus, ama-me, espera-me há vida eterna? E Vicente reagiu perante esta terrível tentação com mais oração e mais súplicas, com actos de penitência e obras de caridade e chegou a cozer-se o credo sobre a roupa para que o só gesto de o tocar com a mão fosse para ele como uma vivia confissão de fé. Mas era isto, tudo o que Deus esperava dele? A fé não é uma propriedade privada, dá-se-nos para a compartir, como pão e como Evangelho, como Justiça e como vida em favor dos outros. Vicente, atrever-te-ás a dar este passo?
4. AS SEMENTES DA PRIMAVERA
Há gente que perante os fracassos ampara-se nas desculpas e em culpar aos demais. Se fracasso nos estudos a culpa é dos professores, da escola, da sociedade. Se tenho lutas na família e escuras relações, a culpa é dos demais. Se os outros sofrem fome, pobreza e desamor, a culpa é deles, mas de nenhuma forma é minha.
Há gente e podemos ser nós mesmos que não decifra os signos da vida, só os sofre sem os aproveitar. Ou, em lugar de tomar a vida nas mãos refugiam-se em um grupo de amigos de má vida para não tomar as próprias decisões. Vicente não de esta classe de pessoas. Soube escutar no meio do sem fim de fracassos uma voz que o chamava a entregar-se. E deu um passo ao frente, um passo definitivo. O seu primeiro biografo contou-nos esta decisão de Vicente perante à tentação da fé: “Para honrar Jesus Cristo, tomou a firme e inviolável resolução de entregar toda a sua vida, pelo Seu amor, ao serviço dos pobres”. A partir de esse momento o seu coração começou a experimentar o que é isso da liberdade e as verdades da fé trocaram-se em segurança e claridade. Ao serviço dos pobres por amor a Jesus Cristo! Quando a fé põe-se em prática, as suas verdades brilham, quando não se vive escurecem-se. Mas eis aqui as duas sementes fecundas da primavera da fé de Vicente. Jesus Cristo e os pobres. Os pobres em Jesus Cristo e ele neles.
Há gente e podemos ser nós mesmos que não decifra os signos da vida, só os sofre sem os aproveitar. Ou, em lugar de tomar a vida nas mãos refugiam-se em um grupo de amigos de má vida para não tomar as próprias decisões. Vicente não de esta classe de pessoas. Soube escutar no meio do sem fim de fracassos uma voz que o chamava a entregar-se. E deu um passo ao frente, um passo definitivo. O seu primeiro biografo contou-nos esta decisão de Vicente perante à tentação da fé: “Para honrar Jesus Cristo, tomou a firme e inviolável resolução de entregar toda a sua vida, pelo Seu amor, ao serviço dos pobres”. A partir de esse momento o seu coração começou a experimentar o que é isso da liberdade e as verdades da fé trocaram-se em segurança e claridade. Ao serviço dos pobres por amor a Jesus Cristo! Quando a fé põe-se em prática, as suas verdades brilham, quando não se vive escurecem-se. Mas eis aqui as duas sementes fecundas da primavera da fé de Vicente. Jesus Cristo e os pobres. Os pobres em Jesus Cristo e ele neles.
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